E por quê isso importa tanto!
Existem palavras que, sem que a gente perceba, carregam mensagens perigosas. Palavras que, por serem usadas há muito tempo, acabam normalizando situações que deveriam ser tratadas exatamente como são: crimes.
É por isso que você não deveria mais usar expressões como “pornografia infantil” e “prostituição infantil”.
Esses dois termos são, na prática, equivocados — e muito mais do que isso: profundamente injustos com as vítimas e perigosamente coniventes com os agressores.
❌ 1. “Pornografia infantil”
Quando dizemos “pornografia infantil”, usamos um termo que, no contexto adulto, está ligado a algo consensual, entre pessoas que escolheram participar.
Mas quando falamos de crianças e adolescentes, não existe consentimento possível. Nenhuma criança consente em ser abusada, violentada, exposta ou explorada.
✔️ O termo correto é: “material de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes” ou, no termo técnico internacional, CSAM (Child Sexual Abuse Material).
Esse termo não é apenas uma formalidade: ele deixa claro que aquilo que circula não é “conteúdo” ou “material erótico”. É registro de um crime. É a materialização de um abuso.
❌ 2. “Prostituição infantil”
No Brasil, não é crime um adulto se prostituir e não é crime alguém pagar por essa relação.
Mas, quando usamos a palavra “infantil”, parece que estamos equiparando a situação de um adulto com a de uma criança.
A verdade é simples: se há uma criança, não existe prostituição. Existe exploração sexual.
E ela tem nome no Código Penal brasileiro: “exploração sexual de crianças e adolescentes”.
Quando usamos a expressão “prostituição infantil”, mesmo sem querer, passamos a ideia de que aquela criança fez uma escolha, que há um acordo, que existe uma troca aceitável.
E isso não é verdade. Nunca foi. Nunca será.
Por que isso importa?
Porque as palavras constroem percepções. E quando usamos termos que suavizam ou distorcem a realidade, a gente também suaviza a gravidade do crime.
Chamar o que é abuso de “pornografia” é minimizar o sofrimento das vítimas.
É transformar violência em “conteúdo”.
É invisibilizar o crime e deslocar a responsabilidade dos agressores.
Escolher as palavras certas não é sobre ser “politicamente correto”.
É sobre proteger a dignidade das vítimas.
É sobre nomear o que precisa ser nomeado.
É sobre dizer, sem rodeios: isso é crime, isso é abuso, isso é exploração.
✋ Guarde isso pra sempre:
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❌ Não se diz “pornografia infantil”.
→ ✔️ O termo correto é: material de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes (CSAM). -
❌ Não se diz “prostituição infantil”.
→ ✔️ O termo correto é: exploração sexual de crianças e adolescentes.
As palavras importam.
E, quando se trata de proteger crianças e adolescentes, elas não são detalhe. Elas são parte da luta contra a violência.
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Quanto mais gente souber disso, mais pessoas vão saber nomear, reconhecer, denunciar e proteger.