A pornografia está ensinando nossos filhos sobre sexo!

Nos últimos dias, um caso brutal de violência sexual contra uma adolescente no Rio de Janeiro chocou o país.

A juíza responsável pelo caso, Vanessa Cavalieri, publicou um vídeo dizendo que não poderia comentar os detalhes — porque o processo corre sob sua responsabilidade. Mas fez um alerta que ecoou muito além daquele caso específico:

isso não é um caso isolado.

Segundo ela, inúmeras situações semelhantes chegam com frequência à Vara da Infância e Juventude. E, neste vídeo especificamente, ela aponta um fator que aparece repetidamente nesses casos: o acesso precoce à pornografia.

E muita gente ainda não consegue entender essa conexão.

Muita gente ainda não percebe o que a pornografia se tornou hoje. Não estamos mais falando da Playboy escondida embaixo da cama ou dos filmes pornográficos de décadas atrás.

Hoje estamos diante de uma indústria global bilionária, que oferece acesso anônimo, online, gratuito e irrestrito a conteúdos cada vez mais extremos, degradantes, misóginos e violentos.

E entendam isso: não existe verificação etária real.
Qualquer pessoa pode acessar. Inclusive menores de idade.

Inclusive, a  idade média do primeiro contato com pornografia hoje está entre 11 e 12 anos — e muitos entram em contato antes disso.

Então o que acontece é que muitos adolescentes acabam recorrendo à pornografia para aprender sobre sexo, já que poucas famílias e escolas oferecem educação sexual adequada. 

Pesquisas mostram que 45% dos jovens afirmaram que estão aprendendo “como fazer sexo” através da pornografia. Ou seja, ela passa a funcionar como “roteiro sexual” para adolescentes, moldando como jovens entendem o que é sexo e como ele “deveria acontecer.

E eu quero te convidar a olhar mais afundo  para o conteúdo que eles estão consumindo.

Estudos mostram que:

  • 88% das cenas pornográficas contêm elementos violentos, tais como palmadas, engasgos e tapas. 

  • Agressões verbais estiveram presentes em 48,7% das cenas, predominantemente envolvendo xingamentos. 

  • Os agressores são predominantemente homens, enquanto as mulheres aparecem como alvos dessas agressões, frequentemente reagindo como se estivessem sentindo prazer ou permanecendo neutras.

Então o que essas crianças e adolescentes estão, de fato, aprendendo sobre relações sexuais?

  • Que são violentas.

  • Que meninos podem — e até devem — ser agressivos com mulheres.

  • Que meninas devem aceitar, tolerar ou até sentir prazer diante da dor ou violência contra ela..

  • Que o outro não passa de um objeto de prazer.

  • Que consentimento não é importante.

  • E por ai vai…

Ou seja: em vez de intimidade, respeito e conexão, o sexo passa a ser retratado como desempenho, dominação, violência e agressividade.

Eu não estou dizendo que a pornografia, sozinha, explique todos os casos de violência.

Mas ignorar o impacto dessa exposição precoce é fechar os olhos para uma parte importante da realidade. E uma parte que podemos agir, podemos fazer alguma coisa.

Nós precisamos nos perguntar:

quem está educando nossos filhos sobre sexualidade hoje?

Se não somos nós — famílias, educadores e sociedade — a internet vai ocupar esse espaço.

E ela já está ocupando.

Por isso precisamos assumir nossa responsabilidade. Isso também significa conversar com nossos filhos sobre assuntos que podem ser desconfortáveis, mas que são urgentes e necessários, como a pornografia.

Silêncio não é proteção.

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Se você sente que precisa de ajuda para iniciar essa conversa, eu tenho um ebook que pode te apoiar muito nesse processo – “Como falar com seu filho sobre pornografia?”. Nele eu explico melhor tudo isso que trouxe aqui e compartilho um passo a passo para ajudar pais a conversar com seus filhos sobre pornografia de forma mais leve, clara e efetiva.